Engajamento, felicidade no trabalho e o impacto no negócio.

31 de agosto de 2020

Nesse artigo escrito pela colunista Aline Ferreira, começamos uma reflexão sobre as mudanças que ocorreram no mundo do trabalho nos últimos anos.

Para falar de engajamento, é importante começarmos com uma reflexão sobre as mudanças que ocorreram no mundo do trabalho nos últimos anos. Quando pensamos nos empregos tradicionais, pensamos logo em estabilidade, “tempo de casa”, hierarquia vertical, controle e supervisão do trabalho, descrição de cargos, trabalho individual etc. Se pararmos para pensar, este modelo funcionava muito bem em um mundo mais estável, onde as mudanças não eram tão constantes como as que vivemos nos últimos 20 anos. Essas últimas décadas transformaram o modelo econômico e consequentemente o mundo do trabalho. Para acompanhar este novo cenário, novas competências começaram a ser demandadas nas organizações.

Ao ter que lidar com mudanças constantes e muito rápidas em todos os cenários, as empresas e as pessoas tiveram que se adaptar. Temas como diversidade (cognitiva, de gênero, de raça…) vieram à tona. A hierarquia vertical foi substituída pela necessidade de um network horizontal, o controle e a supervisão do “chefe” deu lugar ao empoderamento e responsabilização das pessoas para entregarem seus desafios. O trabalho em equipe passa a ser muito mais importante do que o desempenho individual. Em um cenário mais complexo, o conhecimento multidisciplinar aumenta a amplitude de resolução de problemas e as pessoas precisam saber interagir entre si, seja com pares, gestores ou subordinados.

Neste cenário, o tema saúde mental e emocional emerge como fator preponderante de sucesso. Posso ser um mestre de conhecimento técnico, mas se eu não souber liderar, interagir entre as pessoas, se eu não tiver flexibilidade e adaptabilidade, pensamento crítico ou me comunicar de forma assertiva eu provavelmente não acompanharei as necessidades da minha empresa e do mercado. O emprego “tradicional” com certeza era menos angustiante. Tínhamos o “chefe” para supervisionar e cobrar, só precisávamos entregar o que fora pedido e ter conhecimento técnico para tal. O mundo não era tão volátil e isso exigia menos emocionalmente das pessoas.

As competências cognitivas foram atropeladas pelas competências sócio emocionais.

Quando falamos de emoções, estamos falando de excitação, tristeza, felicidade, cansaço, tensão, calma, raiva e uma série de outras que a partir do momento que tomamos consciência, conseguimos gerenciá-las. Imagina um mundo volátil como o de hoje em que situações inesperadas nos pegam de surpresa a todo momento e tudo aquilo que planejamos em algum momento, precisa ser revisto no momento seguinte. Se a cada vez que o inesperado chegar nós nos desestabilizarmos sendo “sequestrados” pela raiva, frustração, desespero ou tristeza como ficaria o desempenho das organizações?

Neste contexto, GENTE se tornou vital para o desempenho do negócio. E GENTE em todas as suas dimensões. Indivíduos com histórias de vidas, com famílias, com seus traumas, valores, problemas e anseios que são impossíveis de separar do mundo trabalho. GENTE profissional e pessoal, uma coisa só. Bom, se é uma coisa só então o estado emocional de cada um vai afetar diretamente o desempenho da empresa? Sim, vai.

Por isso, precisamos falar de felicidade e engajamento no trabalho.

Mas quais são as características de um colaborador engajado?

As pessoas quando estão engajadas em algo elas trabalham com mais vigor. Tem alto nível de energia e resiliência e desejo de investir esforço em um determinado trabalho. Se dedicam ao trabalho com um forte envolvimento acompanhado da sensação de estar realizando algo significativo. Isso provoca orgulho e inspiração.

Agora pensa que para trabalhar com este nível de dedicação e vigor, as emoções que estão por trás precisam ser positivas. Se você está chateado ou triste, naturalmente não conseguirá entrar neste estado de total envolvimento com alguma coisa. Ao passo que ao estarmos em estado de alegria e excitação a probabilidade de nos envolvermos com vigor em algum trabalho é muito maior.

Daí vem a importância da felicidade no trabalho. Mas quais seriam os principais componentes da felicidade no trabalho?

A identificação com o propósito da companhia.

Tudo começa com o propósito. Se eu me identifico com aquilo que a empresa se propôs a realizar e os valores são compatíveis com os meus, isso desperta meu senso de significado. Aquilo que realizo é importante, tenho orgulho do que faço e isso me inspira.

A liderança é inspiradora.

Na relação direta do trabalho a interação líder liderado precisa ser muito saudável, leve e desafiadora. As pessoas naturalmente precisam ter uma identificação com a liderança para se sentirem satisfeitas com o seu dia a dia. O líder precisa inspirar, desenvolver, provocar e desafiar.

Uma boa relação com os colegas de trabalho.

Aqueles papos do cafezinho ou o happy hour do final do dia fazem muita diferença quando estamos falando de felicidade no trabalho. Isso tudo acompanhado de respeito, companheirismo e trocas produtivas potencializam as entregas e ampliam o network horizontal.

A vida pessoal precisa estar boa.

Se as coisas em casa não estiverem indo bem, afetarão diretamente a felicidade no trabalho.

E a saúde precisa estar em dia.

A saúde física afeta diretamente nossas emoções. Se o corpo está são a mente está sã e vice versa. Pessoas saudáveis tendem a cultivar ambientes de trabalho mais alegres e produtivos.

Qualquer uma destas variáveis que impactam na felicidade tem impacto direto no engajamento no trabalho. Quanto maior for o engajamento das pessoas com a organização, maior será o desempenho delas. Mais energia elas investirão para fazer os projetos acontecerem, para trazer ideias novas, para fomentar a inovação. Sem engajamento não há inovação. Sem inovação dificilmente as empresas sobreviverão no contexto atual.

Felicidade dá resultado.